Há 100 anos o patriarca João Resende chega a Itanhém para desbravar e fazer história

 

Por Almir Zarfeg

 

 No centro, Virgínia, José Resende e João Resende (in memoriam)

Faz 100 anos (1919/2019) que o patriarca João Ferreira da Silva Resende chegou às terras água-pretenses para desbravar aquele mundão de mata virgem e, por conseguinte, fazer história. Ele estava acompanhado do filho mais velho, José Resende Sobrinho, então pré-adolescente, e mais dois ajudantes.

Vindos de Araçuaí, cidade localizada no médio Vale Jequitinhonha, eles chegaram até a região em que hoje se situa o município de Itanhém, no extremo sul da Bahia, na divisa com o Estado de Minas Gerais.

 Como era costume naqueles idos, partiram em busca de terras férteis para plantar cereais e criar animais domésticos, como aves, porcos e bovinos. Mas a extração de raízes e peles era um atrativo e tanto. As pedras preciosas, depois, se revelariam um negócio promissor e chamariz para muitos aventureiros.

Sempre margeando córregos e riachos, João Resende, filho e ajudantes chegaram com muitas dificuldades à localidade onde, atualmente, estão as propriedades dos descendentes do bom e corajoso desbravador. A famosa pedra grande, que ainda hoje atrai a atenção pela grandiosidade, teria servido como ponto de referência e localização para eles.

 Nesse local, às margens do córrego – que viria a se chamar Córrego João Resende – eles desbravaram, desmataram e abriram à custa de muito esforço físico um início de povoação. Após dias de intensa labuta, o desbravador retornou ao Vale Jequitinhonha certo de que voltaria com a família, em breve, para empreender e fazer história.

 

Dona Virgínia, José Resende (à dir.) e filhos e filhas

Passados alguns meses, João Resende, sua mulher Bruna Maria de Jesus e filhos vieram de mala e cuia, como se diz, para se fixar na localidade que passaria a ser conhecida como Fazenda Pedra Grande, região dos Resende ou mesmo "Resena”, como as pessoas mais humildes passaram a se referir, por exemplo, ao córrego que banha a região. "Córrego dos Resena.”

Além do primogênito José Resende, o casal João/Bruna concebeu Joaquim, Avelino, Maria, Sebastião, Inácio, Joana e Donato Resende.

A chegada de João Resende à região abriu caminho para outros desbravadores e aventureiros, sedentos de terras férteis para tomar posse e povoar, como os Motas, que vieram em seguida; Simplício Binas, que foi mais adiante e fixou morada com seus colonos às margens do Córrego Água Preta, que daria nome ao povoado original, que passaria a vila, em 1933, com o nome de Nossa Senhora de Itanhém e, finalmente, o município em 1958, com apenas o topônimo Itanhém.

 

  Sede da Fazenda Pedra Grande nos dias atuais

Outras tantas famílias, como Quaresma, Teixeira, Afonso, Souto e Correia, vieram em seguida para contribuir com o crescimento do povoado que, graças ao comércio, atraía a atenção de gentes não apenas do Jequitinhonha, mas do nordeste mineiro, norte capixaba e extremo sul baiano.

Com o falecimento do patriarca João Resende, o primogênito José Resende – ou Zé Resende – assumiu o comando do clã e, aos poucos, foi ganhando prestígio social na localidade. Por sua estatura moral e importância familiar, tornou-se grande amigo e aliado de Sady Teixeira Lisboa, que, tendo chegado à região por volta de 1932, se elegeu vereador em 1951, liderou o processo emancipatório e foi escolhido 1º prefeito do município recém-emancipado de Alcobaça em 1958.

 

Nome do córrego é uma homenagem a João Resende

 Voz ativa na comunidade e presença sempre requisitada nos eventos sociais e políticos, José Resende sucedeu ao pai com muita honra e brilho, colocando a Família Resende no lugar justo e merecido na sociedade itanheense e regional.

Casado com a também saudosa Virgínia, ele deixou uma prole composta pelos filhos Otevaldo, Augusto e José Resende Neto, e filhas Alzira, Modesta, Rosarinha, Altina, Aurita, Joelita, Augusta e Alice.

O clã dos Resende – representado pelos filhos, netos e bisnetos – dá seguimento ao legado do patriarca João Resende e seu sucessor direto, José Resende, ambos reverenciados pelos itanheenses emprestando seus nomes para logradouros, como praças, ruas e avenidas, além de repartições públicas, como escolas e unidades de saúde.

 

 A famosa pedra que teria servido de referência para desbravador

"João Resende e, depois, seu filho José Resende deram uma grande contribuição para que chegássemos ao que somos hoje, um município respeitado por todos, mas que um dia foi um povoado, uma vila, que acolheu e, por isso, se confunde com nosso jeito itanheense de ser e estar no mundo”, afirmou Sasdelli Resende Afonso, filho de Modesta, portanto neto de José Resende e bisneto de João Resende.

Sasdelli, que preside a Câmara Municipal de Itanhém, aproveitou para convidar a todos para prestigiar a Festa dos Santos Reis, que acontece no dia 4 de janeiro, de todo ano, na comunidade rural dos Resende.

Trata-se de uma manifestação cultural, religiosa e festiva que reúne amigos, familiares e convidados da Família Resende.



Notícia Postada em 31/12/2019
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