Em carta, pai expressa sentimentos pela perda do seu filho Flavio Ramon

 

A dor de um pai

Na manhã de vinte e sete de outubro de 2016, o meu jardim que foi sempre bonito, florido e alegre, tornou-se coberto de tristeza, devido a perda do meu filho Flávio Ramon Costa Jardim. Garoto com 15 anos de idade, cheio de vida e de sonhos.

Com a esperança de que " o sonho que se sonha juntos torna-se realidade” sonhávamos, planejávamos uma vida juntos aqui nos Estados Unidos.

Ele como todo "menino sonhador”, planejava sua primeira viagem internacional, cheio de expectativas em conhecer sua irmazinha Kiera, a Disney, entre tantos outros lugares por onde iríamos realizar passeios interessantes. Eu já organizava a sua documentação e sonhava em tê-lo pertinho de mim para contribuirmos uma parceria, uma vida juntos neste país, a qual, teríamos a oportunidade de uma convivência maior, pois, só estavámos aguardando a idade propícia para compartilhar a sua companhia, assim como sua mãe a usufruiu.

Recordo que todas às vezes em que chegava ao Brasil, e percorria as ruas da cidade de Itanhém, pessoas das mais variadas idades ao me encontrar, só pronunciavam elogios a sua pessoa: _ "Junior, aquele seu filho, é um garoto sorridente, de coração puro, bem criado, disciplinado, bem comportado, querido por todos, menino que irradia boas energias e alegra o ambiente”. Eu sentia prazer em escutar tais palavras e me orgulhava em ser seu pai.

Ah! Meu filho, sabemos que o tempo de Deus não conta como o nosso, que tudo pertence ao Pai e que a sua sabedoria é infinita. A nossa é claro, é limitada. No entanto, com toda a minha ignorância diante do Senhor, sou capaz de compreender que a vida é o sopro de Deus em nós e que ao se retirar, nos transformamos a um "vaso de argila” e nos tornamos pó.

Infelizmente, só não sou capaz de entender meu filho, como a vida do ser humano não tem valor no Brasil. Reina a filosofia de que TUDO se resolve com "jeitinho”. A negligência, o descaso, a omissão dos responsáveis pelas instituições de ensino é algo inexplicável. O que era para ser um local seguro, representa-se uma fonte ao perigo.

Já que tudo neste país funciona com "jeitinho” quero ver vocês, responsáveis por esta fatalidade, darem "jeitinho”na vida do meu filho. E não venham me dizer que foi um acidente, porque um fato só se caracteriza como acidente quando algo de errado acontece em um local onde tudo funciona adequadamente. Caso contrário, é desleixo, é irresponsabilidade das pessoas destinadas ao cargo.

É consequência dessa falta de segurança e respeito à vida humana que ocasionou essa fatalidade e o meu filho foi morar no céu. Nossos sonhos foram interrompidos! Tanto tempo aguardando o momento de estarmos mais próximo e em questão de segundos a vida dele se foi.

Tirou-lhe a oportunidade de brincar com sua irmã, Kiera com apenas 9 anos de idade, e ainda levou consigo uma parte de mim, deixando saudades e um vazio incalculável. Já não sou o mesmo homem de antes!

Vou sentir falta das brincadeiras, das nossas conversas pelo FaceTime e da expectativa em vê-lo, desde o momento em que me preparava para visitar o Brasil. O sonho acabou! Acabou!...

Por isso, é com muita dor no coração que faço um pedido aos pais e/ou responsáveis por uma criança no Brasil. Ao ingressar seu filho em uma escola, seja ela privada ou pública, não se preocupe com o PEDAGÓGICO, e sim com a ESTRUTURA FÍSICA do prédio. Aprendizado se consegue em outras esferas da vida; tragédia põe fim a vida do seu filho. Abraços e condolências não vão aliviar a sua dor.

Por isso, não aceitem irregularidades, descasos, desleixos, falta de cuidado, de zelo e incompetência dos gestores. Não sejam omissos ao perigo. Fiscalizem, denunciem, chamem a imprensa, se necessário.

Exijam que tudo funcione regularmente, se tudo estiver legal e por ventura, vier acontecer algo, poderá ser um acidente ou motivo de uma força maior, caso contrario, é negligência por parte dos responsáveis do órgão.

Escola é lugar de proteção e não de tragédia. Infelizmente, por eu está tão distante e acreditar que o dever de toda instituição de ensino é oferecer um ambiente digno às criança não tive este olhar atento.

Vigie para que a dor que sinto hoje não seja a sua amanhã. O maior presente de Deus é a vida.

E você meu filho, descanse em paz! Breve encontraremos junto ao Pai.

Lourival Jardim Junior.



Notícia Postada em 05/11/2016
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