Por A. Zarfeg - “A morte é a curva da estrada...”

 

A morte, com licença, é irônica por demais. E trágica, com a devida vênia, por excesso. Ela é “a curva da estrada”, conforme poetou Fernando Pessoa, no “Cancioneiro”. Foi, exatamente na curva da estrada, que a dita cuja achou por bem ceifar a vida das professoras Beatriz e Eva, na última terça-feira (21/1), na rodovia MG-105, que liga as cidades de Águas Formosas e Machacalis. As duas retornavam para Itanhém, após terem participado de um funeral no sertão baiano, quando a Severina resolveu interferir no destino das duas mulheres. A morte – quão trágico – não permitiu que Beatriz e Eva concluíssem o caminho de volta para Itanhém, cidade que as professores escolheram para morar, constituir família e fazer história. A morte – quão irônico – permitiu apenas que elas enterrassem, dissessem adeus, mas, em seguida, exigiu que fossem – Beatriz e Eva – enterradas pelos familiares, amigos, enfim, pelos itanheenses. Ah, senhora brincalhona! Ah, dona das estradas de Minas! Vosmecê tira a vida, mas eu a canto; vosmecê arranca o que as pessoas têm de mais importante, mas eu, pobre poeta, celebro o que elas possuem de mais caro, qual seja, a vida, ainda que Severina ou Caetana: Bem, dona morte: Está certo que você Anula toda a sorte! Todavia, as ações Realizadas vão ficar Imortalizadas de A a Z, logo fim não há! Era uma menina Viva à procura do sEU Adão de sua sina! Ah, dama negra que quase tudo pode! Quase tudo, repito. Vosmecê arrebata Beatriz na curva da estrada, mas Dante há de continuar firme e forte na caminhada do amor, da dedicação e com a memória sempre pronta para relembrar as realizações da amada que, em Itanhém, foi exemplar como educadora e cidadã. Essas ações já ecoam na consciência coletiva de Água Preta. Vosmecê, rainha das trevas, se apossou sem avisar da pequena Eva, mas Adão há de permanecer em vigília constante, dedicando carinho e lembrança especiais ao passado em comum. Cuidando, especialmente, da educação dos filhinhos do casal. Porque a vida – presente dos deuses do bem – segue, segue e segue... Até que um dia, na curva da estrada, a morte, vosmecê outra vez, pela enésima vez, aplicará o golpe fatal. Porque, como bem disse o poeta maior, “a morte é a curva da estrada / morrer é só não ser visto”. Por Gilmar Ferraz da Silva (A. Zarfeg) Veja outros textos

Notícia Postada em 22/01/2014
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