MEMÓRIA: Tio Retratista ajudou a contar a história pictórica de Itanhém


Por Almir Zarfeg colunista itanhemfest

A morte de Aristides Marques Cardoso, aos 76 anos de idade, no último domingo (8/9), em Itanhém, por causas naturais, me fez pensar imageticamente...
Mais conhecido como Tio Retratista, Tio Fotógrafo ou Tio do Foto (“foto”, aqui, tem sentido de laboratório fotográfico ou estabelecimento onde se tiram fotografias), ele fez história numa época em que, em vez de foto, a gente tirava retrato...

Como homenagear Tio, agora saudoso, sem tocar no nome de Nelson Vital, grande fotógrafo e proprietário do Foto Tricolor?

Foi com Nelson Vital, aliás, que Tio fez da arte de fotografar a profissão na qual permaneceu até o ano de 2000, quando decidiu parar diante do boom das câmeras digitais que, de uma hora para outra, num click, passou a impressão de que qualquer um podia ser fotógrafo.

Como homenagear Tio, agora imortalizado, sem citar o nome de João Mesquita que, adaptado aos novos tempos, continua à frente do Foto Labor fotografando e filmando casamentos e quejandos, em Itanhém?

Hoje a gente curte e compartilha fotos nas redes sociais, mas, nas décadas de 70 e 80, em Itanhém, tínhamos que nos dirigir ao Foto Tricolor, de Nelson Vital, ou ao Foto Cristal, de Tio, para admirar as imagens obtidas, magicamente, por meio da ação da luz sobre um filme.

As fotografias ficavam expostas em vitrines sob medida para que todos pudéssemos apreciá-las e admirá-las. Em preto e branco e, depois, em cores, as fotos eram apontadas e, em seguida, comentadas pelos curiosos.

Aquilo era um espetáculo lindo de se ver e de se comer com os olhos! Afinal, como disse o sábio chinês, uma imagem vale mais que mil palavras!

Nas ocasiões especiais, quando tínhamos que ser fotografados por um desses fotógrafos renomados, éramos tomados de alegria sem fim. Vestidos a caráter, para ficarmos bonitos nos retratos.

Cheios de emoção para sermos fotografados no estúdio iluminado com refletores, imagens coloridas nas paredes, cavalinhos de madeira ao lado, flashes pipocando nos ares.

Eu sempre quis escrever uma História social e fotográfica de Itanhém em parceria com Airam Ribeiro, que, além de cordelista, é detentor do maior acervo fotográfico de Itanhém.

Com a morte de Tio Fotógrafo, no último domingo, voltei a alimentar esse desejo antigo.

Airam Ribeiro, não se mude para Brasília antes de falarmos sobre esse projeto, viu?

Desde já, Água Preta agradece. Eu, também.

Notícia Postada em 12/09/2013
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