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De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.88.163
Mensagem: O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Esta esquematizao da carreira de uma obra potica no encadeamento de trs meios pode no ter muita originalidade, mas muito cmoda.

Pe-nos bem vista o inevitvel carter social e coletivo de todo o labor de criao, onde o poeta mais singularmente individualista s o num instante: formado por uma coletividade, transpe para a obra de sua inspirao uma coletividade e expressa-a numa organizao esttica de contedo coletivo, destinada a ser entendida por uma coletividade e a viver inextinguivelmente no seio dela.

Pode-se objetar: uma obra de poesia pura no encerra nenhum meio de gentua a pulular, como uma srie de romances ou de peas de teatro.

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IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO
ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.
Data: 01/02/2014 às 02:54:55
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.124.217
Mensagem: O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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De fato foi a sociedade liberal da Restaurao com seu revolver profundo, com a sua burguesia enriquecida e o estertor da aristocracia, o alfobre predileto dos seus motivos.

O meio ideal foi a sociedade ou o Estado que palpita na Comdie Humaine, uma populao densa a trabalhar e a amar, a intrigar e a sofrer na politicagem e na aventura da vida intensa e das imediatas transformaes, ascenses e quedas.

E este meio ideal tem vindo correndo pelos espaos e pelos tempos, na sua organizao fictcia, mas inalteravelmente duradoura, como formidvel companhia de cmicos e saltimbancos a representar por toda a parte as mesmas tragicomdias.

O acolhimento nos mais variados meios receptores e a influncia sobre eles exercida tem sido tais que a irradiao da cidade balzaquiana ocupa um vasto departamento da crtica comparativa, de muito especial interesse para o estudo dessa colaborao pstuma dos meios ledores.

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Data: 31/01/2014 às 01:47:09
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 200.153.194.191
Mensagem: O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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E o meio receptor de Dickens foi e o infinito mundo dos seus leitores ingleses e no ingleses, coevos e psteros, todos se apiedando em pura emoo esttica ou em esforos de reformao moral.

Outra vez um rosrio de influncias e de ideias interpretativas, toda a longa oscilao das cotaes estticas, at atingir a estabilidade da histria.

Igualmente fcil apontar os trs meios de Balzac.

O meio formador foi constitudo pelo seu pequeno ambiente provinciano e familiar, pelo cartrio do notrio seu patro, pelas misrias da sua trapeira parisiense e pelo espetculo grandioso das transformaes sociais e espirituais da Frana desde a Revoluo de 1789 e de Napoleo, turbulentos mundos ento ainda muito presentes na memria, at a Revoluo de 1848.

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Data: 30/01/2014 às 01:42:47
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 200.153.194.191
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O meio ideal o mundo todo da Divina Comdia, a totalidade da histria terrena e do mundo eterno, segundo a teologia crist - o mundo trplice do Inferno, do Purgatrio e do Paraso, onde as sombras humanas se prolongavam sem termo, muito mais desproporcionadas que nos nossos prolixos crepsculos.

E o meio receptor , ocasionalmente, o pblico ledor que ao poema imortal vai buscar emoo esttica, regras de vida, temas de meditao.

Este terceiro meio como a carreira de uma incansvel e imorredoura mariposa a soltar grmenes atravs dos sculos - um rosrio de influncias e de interpretaes.

. . . Dia 28.01.14 - 01:30

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Data: 30/01/2014 às 01:24:20
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.103.45
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Para Dickens o meio formador foi constitudo pelo lgubre ambiente familiar, pelas misrias londrinas do seu plano social, pelas incertezas do seu jornalismo proletrio e pelo espetculo dos sofrimentos infantis, logo pelas suas viagens America e Itlia, e pelo advento da era vitoriana com suas grandezas e seus orgulhos.

O meio ideal a sociedade dos seus romances, uma Londres muito mais real e duradoura que a de Portsea, onde cresceu, uma Londres que reunia com dolorosa intensidade todas as misrias, injustias e tristezas do panorama social do liberalismo a degenerar em capitalismo insensvel at cegueira para com os humildes e as crianas - humildes e crianas adorveis pelo seu poder de simpatia, pela sua irradiao humorstica, vtimas que abrandavam os prprios verdugos.

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Data: 29/01/2014 às 01:09:10
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.96.37
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Mas a comparao no sustentvel, porque, muito ao contrrio do que decorre nesse mundo, no a borboleta que efmera; ela que perene at imortalidade. Esta relativa imortalidade de quanto se passa sobre o globo terrqueo com seus dias contados pelo calorzinho que lhe vem do Sol. . .

E apontou alguns exemplos, exemplos acessveis e de uma grande evidncia.

Para Dante o meio formador o complexo tecido de circunstncias que lhe constituram a forte personalidade: a educao segundo o conceito cavalheiresco medieval, a sociedade florentina, as lutas truculentas da poltica, os dios de guelfos e gibelinos, a sua passagem pelo governo, logo expiada por um exlio amargo e sem fim, o asilo de Ravena, a prodigiosa arquitetura da filosofia escolstica, dialtica amplificadora de Aristteles e das Sagradas Escrituras, tudo que lhe guarneceu a inteligncia de ideias, de emoes e de inquietao julgadora.

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Data: 27/01/2014 às 01:21:22
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.73.55
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Os trs meios, o formador, o ideal e o receptor, verdadeiramente so conjuntos de ambientes e correspondem a outras tantas gradaes cronolgicas e a outros tantos comportamentos intelectuais do indivduo e da coletividade. que se verificam, sempre no nascimento ou no brotar de qualquer grande obra e na sua biografia ou na sua carreira de organismo esttico autnomo - to autnomo como a vida dos filhos adultos ante a dos progenitores.

Esta sucesso de ambincias, que na obra potica se concentram e dela se soltam, faz pensar na evoluo biolgica de alguns animais, nas metamorfoses das larvas obscuras, das crislidas reconcentradas e das mariposas ovantes.

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Data: 26/01/2014 às 00:56:05
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.70.231
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Mas o professor, seguindo um instante um adejo das aves, sorriu, interpretando talvez aquela revoada buliosa por uma anunciao: aqui vai-se falar de poesia!

O certo foi que o ambiente contraiu certa vibrao unssona e sequiosa de coisas belas. . .

Nos arraiais da cincia da literatura h tambm uma pequena gria. Usa-se muito a palavra "meio" mas em trs acepes diversas, ainda que prximas parentas.

Talvez dissesse melhor que se lida com trs tipos de meios sociais. A primeira acepo ou o primeiro tipo o meio formador, o meio ou o conjunto de meios em que se forma o poeta; a segunda o meio ideal, o meio criado pelo poeta em suas obras; a terceira o meio receptor, o meio que recebe a obra e a transmite indefinidamente aos vrios pblicos ledores que se vo constituindo, com as variaes do gosto e das ideias, atravs da histria.

Conste que se toma aqui a designao "poeta" no sentido genrico: todo o criador de supra-realidades
por meio da palavra.

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Data: 25/01/2014 às 05:58:06
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.83.215
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A experincia lhe mostra que o ensino tanto mais profcuo quanto mais diretamente responde a curiosidades espontneas e a impulsos intelectuais dos alunos. A variao dos temas e uma certa emoo de atualidade constituem fecundos motivos de interesse que facilitam o recebimento das ideias, assim tornadas valores vivos em vez de abstraes.

E comeou a sua exposio. A sala da aula, sita numa galeria alta, sobranceira ao jardim, recebia uma linda luz esmeraldina aguada, que lhe vinha da filtragem atravs da espessura verde das frondes. No momento que o mestre ergueu a voz, um bano de pombos bateu as asas e partiu por sobre o macio das velhas tlias. Algum estudante recordaria a partida de ouvintes descorteses que as primeiras palavras de um preletor decepcionam.

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Data: 24/01/2014 às 03:45:40
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.85.253
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Por enquanto andamos a flutuar, com maior ou menor transigncia ante os impressionismos, que uma vez por outra se reabilitam por provirem de impressionistas de alto coturno.

Ento a crtica seria apenas a habilidosa ou "interessante" revelao do esprito do crtico, sob o pretexto oferecido pela obra, literatura de segunda mo margem de literatura de primeira categoria, lirismo em prosa, lirismos sem iniciativa, que partia de uma alheia imagem da vida. . .


Naquele dia 10 de Junho o professor associou sua exposio o poema de Cames, como exemplo da alta poesia, a confirmar as suas ideias. Anua tambm insinuao de alguns estudantes, que desejavam lhes apontasse que poderia um velho poema quinhentista, recheado de histria e mitologia, conter de til gente moa do meio do sculo XX.

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Data: 23/01/2014 às 04:34:13
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.77.50
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Havia muito mais objetividade nessas confisses do prprio autor, ainda que ele se no compreendesse em toda a extenso do seu gnio, do que nos primeiros juzos dos crticos profissionais seus contemporneos, blass de leituras, como a cortes Ester enjoada do amor profissional. . .

No dia em que se generalizar este conhecimento da impossibilidade da crtica literria imediata, em que definitivamente se concentrar a ateno dela sobre a obra como vida nova, tal qual o filho se solta dos pais, no dia em que crtica for sinnimo de leitura em profundidade e no de erudio marginal, quando o contedo e o destino da obra forem o tema principal dessa crtica e o recebimento da fora promotora ou dos estmulos estticos da obra prevalecer sobre a preocupao avaliadora ou quando se conseguir algum critrio judicativo articulado filosofia do conhecimento - nesse dia a crtica literria ou a cincia da literatura ter dado um passo decisivo para a sua dignificao.

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Data: 22/01/2014 às 08:45:10
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.78.174
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Em ambos estes passos, se confessa em metaforismos diferentes o mesmo reconhecimento da impossibilidade da crtica judicativa de obras coetneas do crtico. Tudo que seja tentar alguma coisa mais do que noticiar, expor impresses subjetivas e combater policialmente o francamente mau, ultrapassar os limites estreitos da primeira forma dessa direo do esprito, a crtica (V.
Aristarcos, 4a. conferncia).

Bem patentes esto os erros da crtica imediata sobre as obras de Balzac, no somente no posterior desenvolvimento dos juzos pblicos e nas reaes do prprio Balzac, nas declaradas na imprensa do tempo, algumas das quais esto extratadas no livro do Prof. Hervier, mas tambm nas cartas de Mme. Carraud e " l'Etrangre".
Data: 21/01/2014 às 07:30:16
De: leobino neto   Para: itanhem fest - Meu IP: 187.29.54.248
Mensagem: Bom dia meus amigos...
sugiro a voces a postarem apenas noticias da nossa cidade e/ou da regio... Colocar noticia de MANAUS... fica um pouco fora de nossa realidade...

uma dica.

abraos.
Data: 16/01/2014 às 10:37:10
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.86.175
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Estava-se ento no primeiro dia da crtica jornalstica. Natural era que o descobrimento de Balzac se envolvesse nos sentimentos de sua experincia pessoal, que no era boa recordao.

Menndez y Palayo, menos provado pela incompreenso dos crticos seus contemporneos, chegou a uma concluso anloga pela via do especialismo erudito. Ele a declara num passo, que cito no ensaio Depois de Ea de Queirs . . . : "Quem viu alguma vez um estudo de Taine ou de Renan sobre o ltimo drama de M. Daudet ou sobre a ltima comdia de M. Sardou?

Falar hoje de um sermo e amanh de uma zarzuela e no outro dia de filologia oriental no pode ser por fim mais que uma dissipao do esprito, qual no h temperamento verdadeiramente robusto que resista" (Espaa Moderna, Madri, 1894).

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Data: 07/01/2014 às 06:20:19
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.68.140
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A primeira fase desta evoluo dos juzos sobre a sua obra inspirou a Balzac um grande e desdenhoso ceticismo sobre a crtica. Mas, por detrs da frmula ofensiva em que ele confessa tal opinio, h uma grande verdade, que a impossibilidade de bem julgar uma grande obra, contempornea dos julgadores.

um longo e alteroso destino que principia e que ningum pode adivinhar. Esse destino que vem completar o conjunto orgnico "autor, obra e meio".

Como uma cortes desenganada no pode amar, um crtico saturado de leituras apressadas no pode julgar.

Havia na mentalidade do crtico imediato alguma coisa de prostituio.

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Data: 06/01/2014 às 04:59:10
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.94.143
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f) Balzac genial revelador de si mesmo, ou seja de uma
grande fora criadora de uma conscincia tendenciosa, mas vida de compreender e julgar para governar os homens, como o seu Gobsek das suas atividades de usura
um governo das almas na penumbra de um alto gozo esttico, espcie de invencvel vcio secreto.

Agora subalterniza-se a obra ao autor, a criao poderosa e imortal ao criador h muito desaparecido com suas vulgares ambies e suas humanssimas fraquezas de homem de letras combatido e mal percebido.

Esta crtica um passo atrs na marcha das idias e dos mtodos. Representa-a Stephan Zweig, "corifeu da cultura intervalar" (V. Cultura Intervalar, Coimbra, 1945, pags. 89-104) e no deixa de tambm a representar em certa medida Albert Thibaudet, com toda a sua engenhosa superioridade.

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Data: 05/01/2014 às 08:23:59
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.89.9
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E tanto se repete a composio interna dos seus romances, que pode ser cifrada num esquema: um amor contrariado por prejuzos de classes, desigualdades econmicas e sociais, a rija tmpera de almas que se lanam luta e sucumbem desfeitas em dor ou s atingem a realizao do seu sonho e o reconhecimento da sua legitimidade aps sofrimentos heroicos, em tudo
sendo pea decisiva a colaborao de algum aliado inesperado, que representa a solidariedade dos melhores, que so quase sempre os humildes.

No se poderia ver no romancista portugus um demolidor das sobrevivncias da velha ordem em pleno liberalismo e um reabilitador dos foros da paixo livre? Assim, tambm para Camilo, como para todo o romancista de grandes conjuntos histricos, pode haver uma crtica interpretativa de carter poltico-social, obediente ao pendor dos tempos. No caso de Camilo a flagrncia tal que nem falta o tema dileto de Balzac: os estragos do dinheiro, agora no procurado avidamente, mas herdado atravs de geraes. o assunto do Demnio do Ouro, de 1873-74.

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Data: 03/01/2014 às 00:00:34
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.66.70
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Balzac defende o regresso da aristocracia, porque a supe uma nata moral das sociedades humanas, cr tanto bela quanto desdenha a burguesia; esta crtica moderna da sua obra parte daquela sua febre do dinheiro agente de todo o bem e de todo o mal para a viso materialista do homem, como passivo reflexo da sua situao econmica. Encontro estas coisas todas num, representativo espcimen da moderna crtica russa, o ensaio de de V. Grib.

Este critrio poltico-social outro exemplo daquela ao do meio ledor, que falava no comeo deste arrazoado. Tambm o nosso grande Camilo suscetvel desse tipo moderno de crtica. At aqui tem sido visto principalmente como forjador incansvel de novelas passionais, um Balzac portugus mais aplicado ao efmero do que ao perptuo.

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Data: 01/01/2014 às 08:41:11
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.67.72
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c) Balzac agente da libertao do homem, Balzac demolidor de um sistema poltico-social de interesseira imoralidade, em que o dinheiro era o mbil ofuscador de todos, em correria para o vrtice.

Esta a crtica partidria moderna, que remonta a Karl Marx e Engels.

Naturalmente russa predominantemente, prescinde de todo o capital de erudio e ideias, acumulado pela crtica especializada e contenta-se com ler e reler a obra de Balzac, para dela recortar os fatos e os juzos do romancista sobre o mundo que nos apresenta.

Esta crtica chega concluso primeira de Balzac, limiar condenao desse mundo, mas dela extrair um esclito de sentido oposto: em vez de apologia do retorno da aristocracia, renovada em sua conscincia, a apologia da revoluo destruidora das classes.

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Data: 23/12/2013 às 05:05:58
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.96.248
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d) Balzac, grande revelador ou descobridor de dados novos intuitivos sobre o homem.

Mais ainda melhora a situao, porque j se aproxima da verdadeira funo da arte literria, que um esforo de compreenso do homem, em relativo e em absoluto.

A forma adotada para expressar as suas fices de substncia intuitiva, isto , o romance, passa a segundo plano.

O que importa a alta qualidade da madeira em que so construdos aqueles sonhos - para nos expressarmos em linguagem shakespeariana.

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Data: 22/12/2013 às 08:26:38
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.88.148
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c) - Balzac marco milionrio da evoluo do gnero literrio soberano em seu sculo, portanto um preparador do romance realista considerado como ideal ponto de chegada.

A situao melhora com este juzo, porque nele h j influncia dos historiadores da literatura e do seu sentido de perspectiva.

Mas h nele tambm a presena de prejuzos profissionais limitadores.

Com este juzo ainda se apouca o autor da Comdie Humaine, como se apouca Cervantes e o seu Quijote, quando se v na novela s um glorioso marco milirio na evoluo do gnero.

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Data: 21/12/2013 às 06:13:04
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.73.157
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b) Balzac espelho de sua poca, historiador dos costumes, de tudo que normalmente escapa aos historiadores das singularidades histricas, revolues e guerras, governos e instituies.

Interpre  tao errada, como errada era j a respeito de Shakespeare e h-de voltar a s-lo a respeito de Camilo, de Zola, de Ibsen, de Ea de Queiros e de Anatole France.

Este conceito aproxima-se de declarada inteno de Balzac.

Mas no se deve julgar um artista pela inteno que declara, sim pelas realizaes plenas que na sua obra descobrimos.

Os grandes artistas excedem-se sem o saber. Nunca Cervantes poderia adivinhar o patrimnio de emoes e ideias que nos legava, como os seus pais jamais poderiam adivinhar que genial criatura punham no mundo.

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Data: 20/12/2013 às 07:02:05
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.87.151
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Recordando o vrio carter da infinidade de estudos sobre a Comdie Mumaine poder-se-ia estabelecer esta sequncia de rubricas ou direes crticas:

a) Balzac industrial da emoo, fornecedor de um pblico vido de enredos empolgantes, de livros denunciadores que facilmente se convertem em livros de chave.

um critrio de editor e de pblico multitudinrio, que o emparceira com os industriais do romance e da biografia da cultura intervalar, tipo Stephan Zweig e Andr Maurois.

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Data: 19/12/2013 às 05:02:49
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.97.85
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No se creia, porm, que os juzos penetrantes e bem
documentados, e sobretudo esclarecidos por um largo esprito, os de Taine, hajam perdurado inatacveis.

Emile Faguet, em nome de um impressionismo sem mais lei que as limitaes flutuantes e subjetivas do bom gosto, ainda h-de opor muitas restries ao seu gnio, num livrinho que parece algumas vezes mais um panfleto antibalzaquiano do que um estudo metdico.

At ao prprio Brunetire h-de tomar contas do que ele afirmou sobre o romancista, a Brunetire que o mesmo Faguet considerava ainda um tipo " la Balzac".
no pela ambio dinheirosa, sim pela desmedida audcia conquistadora de posies.

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Data: 18/12/2013 às 03:55:43
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.71.31
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Dentro da evoluo da crtica literria, os juzos sobre Balzac s ganharam objetividade plena com Taine.

J com Hippolyte Castille, com Georges Sand e Thophile
Gautier a crtica balzaquiana havia dado passos considerveis.

Mas foi preciso que o romancista morresse ou desatravancasse o caminho dos outros, para que se lhe fizesse justia dessassombrada.

As palavras calorosas de Victor Hugo iniciaram, em forma comovida, essa justia corajosa.

E o estudo de Taine, em 1858, realizou-a insuperavelmente, levantando-o altura de Shakespeare, como criador gigantesco de um mundo real, dramaticamente real, bom e mau como , no fundo, o prprio homem, mquina de interesses de dinheiro, de poder e de sexo, de rivalidade e dios, e de alguns bons desgnios ou tolerantes complacncias.

E com isso, vinha a absolvio de imoralidade que lhe imputava a crtica sua coetnea.

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Data: 17/12/2013 às 04:31:48
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.73.158
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verdadeiramente picante que este tradicionalista, com suas nostalgias do velho regmen, com seus planos de restaurao dos prestgios da aristocracia como verdadeira nata social, que foi Balzac doutrinador, viesse a ministrar motivos contrrios de demolio revolucionria.

E a crtica russa contempornea regressa a Balzac para o erguer altura de genial preparador do advento do quarto Estado pela demonstrao do esgotamento e da incapacidade do terceiro.

Esta inverso dos juzos da opinio poltica lembra aquela outra do ambiente portugus, onde o Marqus de Pombal, um dspota, engrandecedor da autoridade real, detestado pelas classes conservadoras e levantando s nuvens pelas classes liberais.

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CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 16/12/2013 às 05:39:16
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.106.127
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Mas o curioso que houve logo em tempo de Balzac, fora do mundo literrio, quem se fixasse nele como pintor de massas, de massas burguesas, naturalmente, daquele tipo de massas que a Revoluo Francesa havia levado ao poder e que se encontrava ento na fase de tripdio pelo enriquecimento e no caminho vertiginoso da podrido por efeito da liberdade excessiva e da riqueza excessiva.

Foi aquele par de espritos, Karl Marx e Frederico Engels,. irmanados como se gmeos fossem, os quais viram a Comdie Humaine como um conjunto demonstrativo e judicativo dessa sociedade burguesa e dela extrarem alentos para a constituio e formulao da sua filosofia do materialismo histrico.

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Data: 15/12/2013 às 08:15:10
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.106.127
Mensagem:
O QUE O ESPIRITISMO? - Jos Herculano Pires

"Espiritismo uma questo de bom-senso, como escreveu Kardec, mas as criaturas insensatas esto por toda parte.

Precisamos manter constante vigilncia em nossos estudos para no cairmos nas mistificaes que nos levam a deturpar e aviltar a doutrina.

Bastaria um pouco de humildade para vermos, como ensina Kardec, a ponta de orelha do mistificador, que sempre aparece nos textos mentirosos ou ilusrios. A mistificao se alimenta de vaidade e pretenso, desse orgulho infantil a que no escapam nem mesmo pessoas ilustradas. Muitas vezes, pelo contrrio, as pessoas ilustradas no passam de analfabetas ilustres, por sua vaidade pueril, mistificao, do que as pessoas humildes, mas dotadas de bom-senso.

Kardec tem razo ao afirmar que o bom-senso e a humildade so preservativos da mistificao. Nenhum esprito nos mistifica se ns mesmos j no estivermos nos mistificando por vontade prpria".

Livro Curso Dinmico de Espiritismo, o grande desconhecido, Herculano Pires, pg. 90.

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Data: 15/12/2013 às 07:33:24
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.108.250
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Um dos achados de Balzac, precisamente o que se incorporou na evoluo do gnero, o reaparecimento das
personagens, foi impugnado em seu tempo: Chaudesaigues e Julesv Janin veem nessa peculiaridade de composio apenas um fator de inextricvel confuso que envolve contradies.

G. de Molnes, da Revue des Deux, confina-o em pintor
de interiores.

Vale a pena lembrar os termos em que faz a sua delimitao muito ntida: "M. de Balzac est un peintre
et de portraits; qu'il tudie le jeu des physonomies, les efects d'ombre et de lumire dans les chambres, et
qu'il laisse reproduire d'autres les champs o se heurtent les masses humaines".

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Data: 14/12/2013 às 08:05:41
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.88.22
Mensagem:
VIVEIRO - 10/12/80

Hlio Pinto

at parece que o homem resolveu feder
e espalhar a merda toda pelo planeta.
john lennon viveu quarenta anos
varrendo o assoalho da cabea dos meninos
levantando o p dos ossos apodrecidos dos velhos
cantando a gana de ser livre
exaltando o que h de mais humilde no mundo,
a verdade.
at parece que a felicidade morreu
e que o preconceito geral renasce a cada manh
em diferentes partes.
para que escrever coisas como
"imagine que no h propriedade, que no h paraso...
imagine todos os povos dividindo todo o mundo"
se at os mais sensveis sentem-se ameaados?
o poder de imaginar todos temos, o poder de viver
e acreditar nisso, poucos tm.
lennon - que remdio, virou mito
respirou profundamente o ar que alimenta este planeta
e jamais deixou de refletir sobre o homem.
alimentou-se de amor, de msica e se revoltou
contra a pobreza cerebral.
ns, juventude sem muita perspectiva, estamos nos sentindo
mal e achamos que a brincadeira melhor a de ciranda.
para lennon, um abrao apertado; para os que no querem entend-lo, meus psames.

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Data: 13/12/2013 às 06:28:41
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.92.158
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Stendhal, em 1838, confessou a sua admirao pelo cronista dos sofrimentos e pequenezes da vida provincial, que Balzac soube ser.

Esta espontnea confisso parecia um agradecimento antecipado da justia, que Balzac, primeiro que ningum, faria Chartreuse de Parme.

Musset, no ano anterior, pintava um retrato-caricatura do romancista sob o nome de Evaristo e mencionava os seus romances quase ilegveis e o seu estilo inado de barbarismos; e a ambio estulta de se constituir em expresso do sculo, para o que andava caando as suas personagens e os seus temas pela Chausse de Antin, pelo bairro de Saint-Germain, pelos comrcios, pelos ministrios, pelo Bairro Latino. . .

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Data: 12/12/2013 às 04:39:20
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.92.158
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Para P. Lacroix as ideias de Balzac so falsas tanto em moral quanto em literatura. Para o crtico da Revue Europenne, ele faz romances divertidos em estilo vivo e espirituosos, para servir um pblico vido de "amusement"; um romancista como tantos outros; "sous ce raport tous les romans du jour se ressemblent". So muitos os depoimentos de curto alcance. S devem ser destacados os de Sainte-Beuve, que lhe reconhece a fora da luta apesar da falta de uma "bonne presse", v rm Eugnie Grander uma obra prima, aponta a originalidade da sua pintura da vida privada, embora logo em 1840 achasse que j era tempo de acabar - acabar em toda a linha: "... nous voudrions ne pas ajougter qu'il a dja eu le temps de mourir, malgre les cinquant autres romans qu'il s'apprte publier encore. Il a tout l'air d'tre ocup finir comme il a commenc, par cent volumes que personne ne lira . . ." A posteridade responde de modo irrevogvel a esta profecia de Sainte-Beuve, que nunca foi um grande homem e deixou muitas vezes de ser um grande crtico.

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Data: 11/12/2013 às 07:28:13
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.87.159
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Temos de nos contentar com a seleta crtica do Prof. Marcel Hervier, Les crivains Franais jugs por leurs Contemporains, que recapitula juzos sobre autores dos sculos XVI-XIX - ao passo que a obra do erudito espanhol, Miguel Herrero-Garcia, Estimaciones Literarias, se confina ao sculo XVII ou "siglo de oro".

NO vol. 4. da obra de Hervier h um captulo consagrado a Balzac. Na sua brevidade flagrante de ensinamentos, sobretudo se os completarmos com as reaes de Balzac, declaradas nas preciosas Lettres l'Etrangre (1833-1844).

Quanta injustia, quanta miopia, quanta incompreenso at nos melhores espritos e tambm quanta intuio dos que se sentiam perplexos ante coisa to nova e o confessavam de maneira muito tmida!

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Data: 10/12/2013 às 05:16:27
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.73.47
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O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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esta a causa dos frequentes enganos da crtica literria aplicada s obras recm-nascidas, mesmo quelas que o desenvolvimento histrico ou o fluir dos meios receptores veio a considerar muito grandes, grandes at imortalidade. No so enganos, so tentativas de uma coisa impossvel, a adivinhao de um destino e, portanto, de toda histria das ideias, das experincias e dos gostos.

No caso de Balzac muitos so os juzos equivocados sobre La Comdie Humaine expressos no seu tempo, medida que se ia levantando a cidade-turbilho da sua fantasia. No temos, pelo menos no conheo nenhuma obra sobre a evoluo da crtica balzaquiana, to completa como a de Ralli sobre Shakespeare e a de Newman I. White sobre Shelley. Provavelmente a Alemanha possui coisa equivalente a respeito de Goethe.

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Data: 09/12/2013 às 04:57:55
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.100.61
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Se assim , se a obra de arte literria eminentemente social, na origem e na carreira, impossvel senti-la e compreend-la no ponto de partida para essa carreira, quando est ainda fresca a tinta das pginas.

Nesse momento, ela uma hiptese rica de contedos possveis, um organismo signogrfico - tal a sinfonia que dorme nos rabiscos do msico sobre a pauta.

J uma vez disse e repito que a crtica imediata ou contempornea das obras, esta que se faz nos jornais, impossvel se quer ser objetivamente certeira, to impossvel como a professia do destino do recm-nascido, ainda que ele fosse um Cames ou um Gothe (V. A Luta pela Expresso, pg. 155 da ed. port.).

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Data: 08/12/2013 às 13:08:12
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.103.227
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Se a conceituao esttica ou emocional e crtica acerca das obras varia, sendo constante a causa produtora dessas emoes e desses juzos, isto , o texto, porque a determinao de tais variaes est noutra parte.

E no pode estar seno no meio.

E no havendo obra literria viva, sem um meio que a receba, como no h obra musical sem que as vibraes sonoras sejam recebidas por um auditrio,
toda a obra literria viva se compe funcionalmente desse conjunto: o criador ou autor, que concentra todas as influncias que determinam a obra; a obra, que dele se solta como organismo vivo do ventre materno e vai viver destino prprio; e os meios sucessivos ou a ondulao infinita das geraes que recebem a obra e lhe incutem um destino ou uma "vria fortuna", como preferiam dizer os italianos.

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Data: 07/12/2013 às 07:10:54
De: Jucilandia Sousa Kocot   Para: Familiares de Edimarcio. - Meu IP: 31.63.137.157
Mensagem: Venho aqui deixar as minhas condolencias, para Mara, Lucia e familiares. E inacreditavel que ele se foi. Tinha tantos planos, sonhos...Alguns concretizados e outros a serem. Era um lutador, corria atras dos seus sonhos. Foi tao cedo. Mas este pouco tempo que viveu, fez muitos amigos.Vivia sempre sorrindo. Foi um bom bom filho, amigo, primo e sobrinho. E triste saber que voce se foi tao cedo. Sentiremos saudades suas. Descanse em paz nos bracos do Senhor. Que o Senhor Jesus de forcas aos familiares neste momento doloroso.
Data: 06/12/2013 às 15:16:49
De: Jucilandia Sousa Kocot   Para: Familiares de Edimarcio. - Meu IP: 31.63.137.157
Mensagem: Venho aqui, deixa as minhas simples palavras de consolo, a Mara, Lucia e familiares. Sabemos como ele era um lutador, um vencedor, corria atras dos seus sonhos. Era um bom filho, primo, sobrinho e amigo. Sempre sorrindo. E inacreditavel que voce se foi. Descanse em paz Edimarcio, vai fazer muita falta a todos nos, que por um curto momento fez parte das nossas vidas amigo. Que o Senhor Jesus consola e dar forcas a esta familia, no momento tao triste.
Data: 06/12/2013 às 06:55:11
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.68.142
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Uma das provas mais concludentes da colaborao dos meios ledores no significado social das obras est na decepo, que hoje nos causam obras outrora grandemente aplaudidas, e na alta reputao de outras s muito tarde sentidas na sia ntima riqueza; difcil sentir hoje o intuito revolucionrio que os contemporneos atriburam s comdias de Beaumarchais e perceber as razes estticas do entusiasmo dos romnticos pelos Promessi Sposi de Manzoni; surpreende-nos o culto cego dos mesmos romnticos por Lorde Byron, a respeito do qual comea hoje a correr nas histrias literrias um processo para apurar se na verdade ele era um grande poeta.

E o mesmo se poder observar quanto obra fundibulria de Guerra Junqueiro e Gomes Leal.

E sem necessidade de recorrer aos gnios da estatura de Shakespeare ou de um Balzac.

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Data: 06/12/2013 às 06:45:57
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.68.68
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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No recebimento da arte, impassibilidade significaria incompreenso. Todas as grandes construes ideais pela palavra ou pelo som, pela cor ou pela forma em volume necessitam de uma longa carreira de luta, atravs das geraes com sua volubilidade, para chegar a um repouso de contemplao quase unnime.

Era esta verdade que estava por detrs da concepo plebiscitria da crtica, segundo Henri Lichtenberger.

As modernas ideias sobre a presena do meio na carreira interpretativa da obra literria revalorizaram os velhos alvitres deste germanista, em seu tempo no muito bem compreendidos. Tambm no considerados pelo prprio proponente em toda a extenso das suas consequncias.

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Data: 05/12/2013 às 06:22:14
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.72.49
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Uma grande obra de arte uma convergncia de foras espirituais, de luz e calor, que logo aps a momentnea concentrao focal da mente e da sensibilidade do autor, parte a irradiar influncias e a suscitar as mais variadas reaes, atravs dos ambientes que a recebem e gozam, e julgam com repulsa ou com agradecimento.

Como se no concebe um concerto sem pblico, uma representao dramtica sem plateia, um discurso sem auditrio, no h obra de arte literria sem repercusso no pblico ledor. Este pblico ou estes pblicos sucessivos e sempre vrios nas suas ansiedades e nos seus problemas formam a caixa de ressonncia para a voz do artista, do a perspectiva para o panorama de supra-realidade que ele criou e recriam-no ou desfiguram-no em cada hora. No h leitura impassvel.

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Data: 04/12/2013 às 02:07:56
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.113.217
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Como Ralli fez um volumoso compndio dos juzos crticos sobre Shakespeare, proferidos durante os largos sculos da sua incompreenso, assim se poderia organizar uma antologia da vria fortuna de Balzac.

O lapso de tempo desse tatear da crtica de Balzac foi muito menor que o da crtica shakesperiana.

O trgico de Stratford teve de conquistar a Europa mo armada, no dizer de um historiador dessa conquista. Paul Van Tieghem. Mas seria igualmente profcuo percorrer com detena este sculo de ideias sobre Balzac para mostrar os enganos da crtica do seu tempo - enganos para os historiadores dela e os cpticos dessa atividade; para provar a impossibilidade da crtica imediata, preferiria eu dizer.
Data: 03/12/2013 às 08:54:03
De: Esportista Itanhenhense   Para: Prefeitura, Comerciantes e demais - Meu IP: 187.29.38.119
Mensagem: Venho atravs desde espao alerta para nossos governantes, comerciantes e demais populares: abram os olhos para nosso esporte. O evidente descaso est vindo a tona, exemplo mais claro atualmente o que esto fazendo com nossos garotos do futsal, que por intermdio com prof. Clayton Lopez vem realizando um belo trabalho frente ao nossos garotos do sub-20, que recentemente conquistou o ttulo do zonal extremo sul baiano, disputado ms passado em Santa Cruz de Cabrlia, o que deu vaga para a equipe disputasse a fase final em Luiz Eduardo Magalhes nos dias 6,7 e 8 de Dezembro.
At ai tudo as mil maravilhas, at ai... pois agora nossa equipe est ameaada de no poder disputar o ttulo de campeo baiano na categoria sub-20 por falta de DINHEIRO para arcar com gastos de ALIMENTAO para os atletas e comisso tcnica...
UMA VERGONHA PARA NOSSOS GOVERNANTES MUNICIPAIS, COMERCIANTES E AMANTES DO ESPORTE...

Por isto que peo para que vc que esteje lendo, no deixe esse sonho acabar, se puder colabore com nossos GUERREIROS a lutarem por este sonho...
Data: 03/12/2013 às 02:05:31
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.85.130
Mensagem: O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Passaram cem anos sobre a morte de Balzac. dever dos devotos da sua memria alguma coisa fazer para que no afrouxe o culto de um dos mais poderosos criadores da arte literria e dos mais esforados pesquisadores do carter humano.

Estes cem anos decorridos sobre o seu desaparecimento por consumpo no fogo do prprio gnio e nos tormentos de um grande amor oculto foram cem anos de esplendor do gnero literrio que ele ergueu maior dignidade e estimao pblica. E foram tambm cem anos de crtica e histria literria ou de cincia da literatura.

E como o romance de Balzac, ou todo o imenso mundo nele contido, foi tema constante das anlises, avaliaes e interpretaes da crtica, poderamos afirmar que a evoluo dos juzos sobre Balzac representa com fidelidade a prpria evoluo da crtica, no seu sculo ureo e no seu reinado francs.

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CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 02/12/2013 às 11:35:39
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.69.9
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Todos ns, os que lemos e meditamos a novela imortal durante mais de trs sculos, todos colaboramos na discriminao do seu contedo e na recriao dela: grandes e pequenos crticos, eruditos anedticos e historiadores da literatura, ensastas argutos e os recnditos leitores desconhecidos.

E o primeiro a surpreender-se do que ns todos descobrimos na sua obra seria o prprio Cervantes, como qualquer pai, que ressuscitasse, desconheceria o filho ilustre, que deixara ainda infante e entregue ao seu destino.

E esta carreira indefinida, recriadora ou desfiguradora da obra literria, o ltimo ato da luta pela expresso, uma agonia perptua da mente humana, que no escritor atinge o grau superior do tormento, porque o artista da palavra faz dessa onipresena da palavra e dessa impotncia da palavra a sua arte dolorosa e a sua expiao do pecado de viver.

Completam-se deste modo, uma outra, a minha concepo asctica da funo do escritor (V. O Dever dos Intelectuais) e a minha concepo agnica da essncia da arte literria.

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CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 01/12/2013 às 07:12:37
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.112.204
Mensagem:
O BURRO E O BOI NO PRESPIO (Catlogo Esparso)

O PINTURICCHIO:
"A Sagrada Famlia".
Siena, R. Accademia.

De longe,
o que menos primitivo animal
e nobre e tristonho:
os rostos,
os cenhos.


Buscam
o
b  eb
nen
o
em ns
mais menininho.

Do livro: AVE, PALAVRA - GUIMARES ROSA.

Data: 30/11/2013 às 12:09:38
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.112.204
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

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Faz pensar no fumo azulado que sobe do rescaldo de alguma fogueira, em que arderam as mais disparatadas coisas.

Hoje, aps trs sculos de reflexo, l-se o Quijote para entender melhor a vida e para a dourar com sonhos que chegam a erguer-nos acima da condio humana.

uma obra empapada de vida humana condensada, com as suas mais amargas decepes e os seus mais alados idealismos.

No a lemos todos, porque os seus descobrimentos j se incorporaram no patrimnio mitolgico da nossa idade.

Todas as pocas tem suas mitologias, porque os homens no se deixam guiar pelas ideias puras, s as assimilam quando lhas disfaram em emoo, smbolo e mito.

Nem todos lemos o Quijote, mas todos vivemos o Quijote. Igualmente, so poucos os leitores de Coprnico e Newton ou, se preferem, de Shakespeare, mas todos aproveitamos dia a dia os seus descobrimentos.

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IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO
ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 30/11/2013 às 12:02:52
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.73.18
Mensagem:
O BURRO E O BOI NO PRESPIO (Catlogo Esparso)

SANO DI PIETRO:
"O Prespio".
Roma, Pinacoteca Vaticana.

Quase esquivas testemunhas,
ante a manjedoura
- sepulcro, sarcfago -
jazem
em canto, oculto, calmo.

Sob os circunsequentes anjos e astros,
e o drama e o vcuo.
Como o Menino.

Do livro: AVE, PALAVRA - GUIMARES ROSA, 1970.

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Data: 29/11/2013 às 08:21:04
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.73.18
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - FIDELINO DE FIGUEIREDO

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E surgiu o segundo Quijote, menos cmico e menos batalhador que o primeiro, mas mais ingenuamente crdulo e mais melancolicamente discursador, para comentar e justificar os seus atos, como j os nobres heris homricos e todos os heris antigos ao mesmo tempo praticavam as suas faanhas e as explicavam com eloquncia, como o Nun'lvares dos Lusadas, to fecundo quo valente.

Desde ento o Quixote percorre fases sucessivas de interpretao: stira poltica, stira literria de chave, autobiografia, um smbolo e outro, para chegar a ser o que hoje: o mais representativo mito da Idade Moderna. Para o sentir deve-se abstrair de toda a sua prolixidade e heterogeneidade, tudo aquilo que se destinou a divertir os "desenfadados" leitores renascentistas, e concentrar a nossa reflexo sobre a pura essncia, una e subtilssima, que se evola desseconjunto variado.

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IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO

ORGANIZAO  , PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.
Data: 29/11/2013 às 08:13:21
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.93.6
Mensagem:
O BURRO E O BOI NO PRESPIO (Catlogo Esparso)

GENTILE DA FABRIANO:
"Adorao dos Magos".
Florena, Uffizi.

A fbula de ouro, o viso, o
Cu que se abre,
chamaram-nos
de seu sono ou senso sem maldade.
To ricos de nada ser,
to seus somente.

Capazes de guardar
no exigido espao
a para sempre grandeza
de um momento.

Com sua quieta ternura,
ambos, que contemplam?

Sabem.
Na  da aprendem.

Do livro: AVE, PALAVRA - GUIMARES ROSA, 1970.

Data: 28/11/2013 às 07:39:17
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.93.6
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - FIDELINO DE FIGUEIREDO

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J no era uma espirituosa pardia ao Amadis de Gaula, como stira contra um gosto dominante e como instrumento "provocante a risa", mas um sublime arqutipo de todas as perfeies morais, em que se quintessenciava o ideal moribundo da cavalaria, to puro que s uma vez no mundo e por um louco poderia ser vivido.

E Cervantes deu-se pressa em escrever e publicar a segunda parte da novela, para nos perfazer o retrato do seu heri, para o restituir sua fisionomia autntica.

A segunda parte no deixa de ter seu propsito polmico.

Temos que agradecer ao desconhecido autor do falso Quijote a sua ao estimulante e decisiva sobre o esprito de Cervantes. Quantas obras imortais se devero a essa origem impura da emulao e da retificao acintosa!

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IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO
ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 28/11/2013 às 07:28:31
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.81.154
Mensagem:
O BURRO E O BOI NO PRESPIO (Catlogo Esparso)

ZURBARN:
"Adorao dos Pastores".
Museu de Grenoble.


O Boi um
rosto a menos
entre os humanos.

Do livro: AVE, PALAVRA - GUIMARES ROSA, 1970.
Data: 27/11/2013 às 02:53:02
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.81.154
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - FIDELINO FIGUEREDO

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Cervantes era, porm, muito mais que um autor cmico, era um gnio criador de smbolos e mitos eternos - o precrio eterno humano, entenda-se -; sentia a vida em toda a profundidade do seu drama e da sua amargura. E escrevia aps dolorosas experincias, depois de ter vivido a sua vida.

A sua obra literria j da madurez, atividade recolhida de soldado reformado e mutilado, e de pequeno funcionrio desiludido, e aqueles ajustes de contas com a vida, que est no fundo de toda a grande obra literria.

E o Quijote transfigurou-se-lhe adentro das suas meditaes solitrias. E a elaborao prosseguiu. Quando em 1614 apareceu um outro Quijote, que a falsa continuao da novela, assinada por um suposto Avellaneda, punha a correr, ento Cervantes reconheceu pelo contraste a distncia que havia entre aquele e o seu. No somente o tipo se adulterava, ao transformar-se no Caballero desamorado e ao curar-se a intervalos da loucura para dela ter conscincia e disso mais sofrer, mas tambm o que de fiel se mantinha do tipo cervantino j no era atual, porque entretanto o heri manchego transfigurara-se.

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IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO
ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 27/11/2013 às 02:45:58
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.76.216
Mensagem:
O BURRO E O BOI NO PRESPIO - (Catlogo Esparso)

SANO DI PIETRO:
"O Nascimento de Jesus".
Roma, Pinacoteca Vaticana.

Parelhos
bi  chos de trabalho,
onde tudo estarrecida orao
e alarmado prestgio:
morte e aurora.

No vigiam o cu.
Aguardam
um futuro sem passado.

Sua slida presena
talvez fosse necessria.

Do Livro: AVE, PALAVRA - GUIMARES ROSA, 1970.
Data: 26/11/2013 às 05:25:22
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.76.216
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA

. . .

Novo gosto ensinado tambm pela Itlia, mas que j encontrava
ambiente favorvel nas tradies peninsulares, com sua novelstica e suas influncias orientais.

No Romancero continham-se poderosos grmenes novelescos.

Os romnticos os aproveitariam.

Aquela primeira parte do Quijote, de 1605, assertoando tantos contos e narrativas da mais variada provenincia e do mais dspar carter, visava a entreter esse gosto de histrias, para divertir e despertar o riso.

Poderia chamar-se-lhe, quanto inteno e ao tom geral, em bom castelhano quinhentista, uma Coleccin de novelas de burlas provocantes a risa.

Como tal circulou no sculo XVII. Um grande inventor ou descobridor de situaes cmicas - eis que Cervantes foi na primeira fase da carreira da sua obra. Todas as impresses dos seus leitores setecentistas confirmam este juzo.

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IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO
ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 26/11/2013 às 05:16:34
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.86.59
Mensagem:
O BURRO E O BOI NO PRESPIO (Catlogo Esparso)

FRA FILIPPO LIPPI:
"Natividade".
Ca  tedral de Spoleto.

Obscientes sorrisos
- orelhas, chifres, focinhos,
claros -
fortes como estrelas.

Inermes, grandes.

Ss com a Famlia (a ela se incorporam),
so os que a hospedam.
Alguma coisa cedem
imensa histria.

Dp livro: AVE, PALAVRA - GUIMARES ROSA, 1970.

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Data: 25/11/2013 às 06:14:47
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.86.59
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - FIDELINO DE FIGUEIREDO

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Mas como Cervantes era muito mais que um dos tais crticos ficcionistas, maneira de Cesare Caporali, inventor da coisa, ou maneira do annimo autor do Entrems de los Romances, aquela unidade condensada dos seis primeiros captulos ampliou-se e precisou-se na sua inteno satrica e burlesca.

Completou-se o quadro: identifica-se Dulcinia naquela pobre labrega, s famosa na sua aldeia por "la mejor mano para salar puercos", e surge o comparsa indispensvel das cavalarias, o escudeiro Sancho.

E com "la segunda salida" se delineia toda uma transposio em burlesco do Amadis de Gaula.

Cervantes dava-nos, por fim, uma novela mordente contra um tipo de gosto lierrio, j arcaico. E essa novela, verdadeiramente uma pinha de novelas, mirava a contentar outro gosto mais atual, o gosto renascentista de contar e ouvir histrias de amor e aventuras estranhas as inverossimilhanas cavalheirescas.

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IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO
ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 25/11/2013 às 06:06:31
De: POPULAO DE ITANHM   Para: ITANHEMFEST - Meu IP: 187.29.53.33
Mensagem: APESAR DE SRIO,ESTE SITE FOI MUITO INFELIZ AO POSTAR ESSA REPROTAGEM SOBRE O VEEREADOR CABEO,UMA VEZ QUE,A CMARA NO FORMADA SOMENTE PARA SE ELABORAR E APROVAR PROJETOS,MAS,IGUALMENTE,P  ARA SE FISCALIZAR O EXECUTIVO.E ISSO ,O CABEO TEM FEITO MUITO BEM,NO APROVANDO AS CONTAS DE 2011,ALM DE EMPETRAR UM MANDATO DE SEGURANA CONTRA A APROVAO DESSAS CONTAS QUE FOI FEITA DE FORMA ILEGAL.DE NADA ADIANTA ELABORAR PROJETOS PARA SEREM ENGAVETADOS PELO PREFEITO.PREFEITO,ESTE,QU  E VEM TENDO AS SUAS CONTAS REPROVADAS PELO TRIBUNAL DE CONTAS DESDE 2010,2011 E AGORA TAMBM EM 2012.ESTE SITE DEVERIA FALAR DOS OUTROS VEREADORES QUE APROVARAM ESTAS CONTAS E NO DE ELABORAO DE PROJETOS.SE QUER AJUDAR A POPULAO CONTINUA POSTANDO OS VDEOS DAS REUNIES DA CMARA PARA QUE O POVO POSSA VER E ANALISAR QUAIS OS VEREADORES QUE ESTO FAZENDO EM PROL DE ITANHM.
Data: 24/11/2013 às 12:38:35
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.80.85
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA LITERRIA - Fidelino de Figueiredo

. . .

Os seis captulos iniciais do Quijote constituem uma unidade esttica, "la primera salida", em que o escritor satirizava as novelas de cavalarias ou, melhor, fazia crtica literria em forma potica ou ficcionista, mas com a aderncia nova da stira burlesca.

Esta mesma forma cervantina da chamada crtica potica tinha precedentes em lngua castelhana, com esprito satrico e tudo: o Entrems de los Romances era um romance satrico ou uma balada satrica dirigida contra a obsesso dos romances e baladas.

Se se provasse seguramente, no conjecturalmente como se tem feito, que a data deste Entrems era anterior ao Quijote, teramos achado com muita probabilidade o motivo mais prximo de sugesto sobre o esprito de Cervantes.

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ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 24/11/2013 às 06:06:57
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.80.85
Mensagem: 0 BURRO E 0 BOI NO PRESPIO (Catlogo Esparso)

PIERO DELLA FANCESCA:
"A Natividade".
Londres, National Gallery.

Por que zurra para o alto o Burro;
num pedido doloroso?
Por que se abaixa o Boi, opaco,
to humilde, to grande?

Nus fantasmas que a luz abduz.
Nus como Jesus
posto entre hmus e plantas,
num canteiro.

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Do livro: AVE, PALAVRA - GUIMARES ROSA, 1970.
Data: 24/11/2013 às 05:30:43
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.70.229
Mensagem:
O MEIO E A CRTICA IMEDIATA - Fidelino de Figueiredo

. . .

Os Lusadas e o Quixote so bons exemplos desse crescimento das grandes obras, fora das mos dos seus autores e atravs da fina crtica dos especialistas e da grossa crtica dos meios ledores, pela histria abaixo. . .

. . .Fiquemo-nos com o Quijote que tambm est "mais crescido" ou mais adiantado no caminho da universalizao.

Entre o Quijote, como ele foi lido logo em 1605, e o Quijote, como o lemos hoje, h uma grande diferena de contedo. A princpio, Cervantes nada mais teria querido fazer do que uma obrinha de "crtica potica". Chamei assim em Pirene a uma tpica forma nossa - nossa, de portugueses e espanhis - da crtica literria, associada fico potica, "tipica", apesar de oriunda da Itlia, e "potica", apesar das suas posteriores modalidades em prosa. O prprio Cervantes j nos havia dado, nesse gnero ou subgnero, o Canto de Calope, contido em Galatea, de 1585, e nos daria em 1614, no mesmo ano da concluso do Quijote, o Viaje del Parnaso. Que o meu amigo J. Gaspar Simes me perdoe de incluir agora Cervantes entre os "cultivadores de gneros".

. . .

IDERIO CRTICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO.
ORGANIZAO, PREFCIO E NOTAS DE
CARLOS DE ASSIS PEREIRA - 1962.

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Data: 23/11/2013 às 10:36:40
De: catarina   Para: itanhemfest - Meu IP: 200.165.195.73
Mensagem: gostei da mudana s,o que no gostei foi do mural, achei muito escuro, muito escuro mesmo as letras some no meio de tanta cor.
fica a dica!
Data: 22/11/2013 às 23:08:43
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.93.64
Mensagem:
DOM QUIXOTE: a crtica irnica

Diante desse novo mundo, o ideal da cavalaria desmoronou. Nenhum livro marcou esse fato com tanto impacto como o Dom Quixote, do
espanhol Miguel de Cervantes. Seu heri, o clebre Cavaleiro da
Triste Figura, acompanhado pelo fiel e gordo escudeiro Sancho Pana, insiste em reviver amorosos e feitos heroicos dos romances de cavalaria, na realidade de um pas empobrecido e cortado no mais pelas sendas da aventura mas pelos prosaicos caminhos reais, percorridos por pacatos clrigos, vidos burgueses, espertos salteadores e atentos soldados.

Em vez de castelos, Dom Quixote encontra vendas, cidadezinhas e rebanhos; e mesmo a agreste Sierra Morena, onde ele se refugia para fazer uma espcie de retiro espiritual prprio dos cavaleiros andantes, revela-se afinal cruzada por pastores rudes ou gente urbana infeliz. A pujana desta ficou para o Novo Mundo; na nova Europa ela se tornava cenrio para as torrentes da alma.

Dom Quixote encarna princpios contrrios; ele santo e louco, e um porque o outro. Irnico, cruel, sublime e grotesco s vezes nas mesmas linhas, Dom Quixote consolida o nascimento da prosa moderna - de que o romance, depois, ser o principal veculo.

Distante da sonoridade do verso, a disseminao da prosa consolida a imagem do literato como escritor.

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PANORAMA DA LITERATURA
FLVIO AGUIAR.
Data: 22/11/2013 às 06:36:55
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.80.121
Mensagem:
O AMOR DE DULCINA - Menotti del Picchia

CANO DE AMOR DE DULCINA

Princesa de lenda antiga
num velho solar sem dono
acordei de um longo sono
ao ouvir tua cantiga. . .

Esperei-te - virgem louca! -
pois ofertar-te desejo
todo o perfume do beijo
que h na rosa desta boca. . .

Vede-o! Intrpido galga a escada longa e frgil. . .

Como esbelto e valente!

E como moo e gil!

Um passo em falso e morto!

E reduz-se a pedaos!

Chegou. . .

Ela suspira. . .

Adora-o!

Abriu-lh  e os braos!

Quixote!

Du  lcina. . .

Amor meu!

Meu desejo!

Que foi?

Um arrepio mortal!

No. Foi um beijo!
Data: 21/11/2013 às 00:49:22
De: Achiles Ribeiro   Para: Itanhemfest - Meu IP: 187.29.51.212
Mensagem: Muito bom o novo site parabens Pita !!!!! Deus abencoe sempre !!
Data: 14/11/2013 às 10:29:29
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.100.12.97
Mensagem: O AMOR DE DULCINA - Menotti del Picchia

MOINHOS DE VENTO

Cantemos em louvor do Cavaleiro Andante!

Eu sou uma harpa verde. . .

Eu, uma flauta errante. . .

Refletindo, com o cu, das nuvens os farrapos,
fao o coro orquestral com dois milhes de sapos. . .

Sou o arco de um violino. . . E vs?

A timorata
msica do silncio. . .

Um pandeiro de prata
agito em pleno azul. . .

Na treva taciturna
somos sinos de luz da catedral noturna. . .

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Data: 13/11/2013 às 13:18:29
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.100.42.227
Mensagem: O AMOR DE DULCINA - Menotti del Picchia

MOINHOS DE VENTO

Aguardava-o em seu castelo
uma princesa alva e nua
e, vendo-o to nobre e belo
abriu-lhe os braos: "Sou tua!"

Qu voz! Fluido cristal sonoro como um verso. . .
Tem a maciez de um ninho e os balanos de um bero.
Como um vinho precioso e antigo, embriaga, aquece,
enternece, entristece, enlanguece e adormece. . .

Dorme e ronca como um porco. Comea o sonho de D. Quixote.
O seu pensamento um parque principesco, ao luar, junto de um castelo roqueiro. De uma janela da torre desce, clssica e liricamente, uma escada de seda. D. Quixote realizou o milagre fustico: jovem e belo.
Traz a espada - que a bravura -
e a bandurra - que espiritualidade.
Diante do Amor, pela magia do amor,
todas as coisas criam alma e falam.
Data: 12/11/2013 às 14:33:44
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.85.155
Mensagem:
O AMOR DE DULCINA - Menotti del Picchia

MOINHOS DE VENTO

Ronca como um cevado!
Tem razo. . . Eu tambm sinto-me derreado. . .

Eu vi passar pela rua
um cavaleiro espanhol.
Tinha a face cor da lua
e a armadura cor do sol. . .

Doce harpa celestial de msica e poesia!
Se a ouviste o rouxinol nunca mais cantaria. . .
Quem ser que entoou to linda melopeia?
Uma princesa moura? Um anjo?

Dulcina!

Ten  s razo, patro! a voz da vossa dama!

Escuta, Sancho Pana, ela disse que me ama. . .

. . .

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Data: 08/11/2013 às 06:59:42
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.84.98
Mensagem:
O AMOR DE DULCINA - Menotti del Picchia

MOINHOS DE VENTO

Bebeste, e quando ests nesse estado indeciso
tens menos juzo que quando ests com juzo
pois sempre tens nenhum. . .

No credes? Que seria
sem prodgios de f toda a cavalaria?
Tudo crena porque, sem a credulidade,
a verdade irreal cederia verdade
quotidiana, esse torpe, esse asqueroso abismo
imoral de traies, de ambies, de cinismo!

Vinho bom. . . Crendo-o bom, toma o rubro velhaco
sabor do que saiu dos racunos de Baco. . .
Senhor: mister crer, no ter o ouvido surdo
enigmtica voz que realiza o absurdo!
Exemplo: acreditais - isso vou-o agradeo -
fazendo-me a justia inteira que mereo,
que sois o maios feliz de todos os cavaleiros
pois tendes Sancho Pana, a flor dos escudeiros!
No isso?

Dormis?

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Data: 07/11/2013 às 06:09:49
De: Jomar Reis   Para: "A quem possa interessar" - Meu IP: 189.79.77.220
Mensagem:
O AMOR DE DULCINA - Menotti del Picchia

MOINHOS DE VENTO

Sei: no vos sai da ideia
a beleza sem par da vossa Dulcina. . .
Feliz sois meu Senhor, por possuir aquela
que, com ser a mais nobre, ainda a mais bela. . .
No seu gesto languesce o resplendor do ocaso;
seu porte tem a graa helnica de um vaso;
o timbre da sua voz uma flauta sonora,
seu olhar uma estrela e seu rosto uma aurora!

Mas nunca a conheci. . .

Que importa se ela linda
e vos ama? Senhor! H de ser vossa ainda. . .
Silncio. . . Ela est aqui! Reparai bem no dono
desta casa: seu pai, um velho rei sem trono,
sem reino e sem coroa. . .

E vive num pardieiro?

Um bruxo o transformou num estalajadeiro. . .

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Data: 06/11/2013 às 06:04:18
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